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From: "Aguinaldo Ribeiro da Cunha" <>
Subject: [BRAZIL-L] Monarquia e República - II
Date: Thu, 14 Jun 2001 03:22:40 -0300
Caro Luís Leal, deixando de lado, por ora, a questão Monarquia versus República (temos, ao que parece, visões muito diferentes de nosso passado histórico, em particular a História brasileira no século XIX), devo dizer-lhe que não compartilho de sua opinião quanto ao "deboche brasileiro". Acho isso, inclusive, extramamente negativo para nossa auto-estima enquanto povo.
Não sei, naturalmente, se você se referiu especificamente ao Rio de Janeiro e à Bahia, como me pareceu ao ler sua mensagem, mas em São Paulo, seguramente, posso afirmar com todas as letras que não somos assim. Em MInas, também não, e acredito que em vários outros estados da Federação o deboche é algo circunscrito à gente mal-educada.
Não se debocha simplesmente de um governante - seja Presidente da República ou Imperador. Você não acha? Qual o motivo do deboche ou da falta de respeito? A informalidade do povo? Mas, é bom frisar, uma coisa é informalidade, outra, falta de educação. Não concorda? Criticar-se um governante é necessário e é prática sadia da Democracia, mas desrespeitá-lo ou brincar com ele é outra coisa, no meu entender. Fere o princípio da representatividade!
Vejo o Brasil de outra forma, se me permite dizer: povo informal nos costumes e na maneira de ser, na linguagem, mas não mal educado ou grosseiro. Pelo menos, é como vejo à minha volta, no meu círculo, no que leio e observo de nosso cotidiano.
Quanto ao Grito do Ipiranga, acredito que tenha sido realmente um Grito pela Independência - e não um grito de dor ou físico (isso, faz parte do deboche e da auto-imagem negativa que muitos têm do País e do povo). Dom Pedro me merece todo o respeito - se você analisar sua biografia (naturalmente falha como ser humano que era), pode perceber o quanto fez pelo Brasil e por Portugal (não é à toa que sua estátua, como herói nacional, encontra-se no Rossio, em Lisboa, como Dom Pedro IV, e no belíssimo Monumento da Independência, no Ipiranga, em São Paulo - debaixo do qual fica a Capela Imperial com seus despojos e das Imperatrizes D. Leopoldina e D. Amélia).
D. Pedro II, então, nem se fala: respeito é pouco, tenho por ele a maior admiração - melhor um governante filósofo e cientista, que um "analfabeto", digamos assim para simplificar, como alguns generais que nos governaram. Como escreveu o grande Monteiro Lobato, ao explicar o porque do exílio do Imperador pelo Governo Provisório Republicano: "provavelmente, acharam que o que é muito bom, não presta!".
Saudações republicanas, Aguinaldo Ribeiro da Cunha Filho
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