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From: aristoteles rodrigues <>
Subject: Re: [BRAZIL-L] Imigantes de Portugal / Monarquia e República - II
Date: Mon, 18 Jun 2001 22:57:49 -0300
References: <006501c0f49a$6ce594e0$48f0bfc8@internet> <013501c0f7eb$4db29ba0$70a0a8c0@dti.digitro.com.br>




O recado é mais para o Aguinaldo, achei que deve pôr minha colher torta
no meio disso: Isabel libertou os escravos não por compaixão ou coisa
parecida, mas porque a casa real, que não era composta de tolos, via a
indústria a chegar, e sabia que não iam ser alguns milhões de
analfabetos e desqualificados que iriam fazê-la tornar-se realidade.
A república devolveu-nos ao estágio pré-industrial, estágio que precisou
de um assassino por omissão e fascista , Getúlio Vargas, para superá-lo.
Atenção: analfabetos e desqualificados não é insulto para aos negros
escravos; é o retrato do que haviam feito com eles.
Bem, essa é minha visão do processo, que é tão boa quanto qualquer
outra; ainda que eu tenha nascido na primeira metade do século 20, não
convivi com a história, com quem fez a história (mesmo que meu avô tenha
nascido no final do século 19, em 1886). Ouvi quatro, cinco, dez versões
da história, incluindo a da disenteria do Pedro I, que nos deu a
independência de Portugal - ainda que para entregar o trono ao seu filho
neném. Escolhi uma e deixo-a sub judice, porque o vencedor escreve a
história que lhe é mais conveniente.
De toda forma, para mim a república é um desastre, bastando olhar para
Rui Barbosa, mestiço de negro e branco, cheio de boas intenções, dando
poder a todos os bancos para emitir dinheiro, quando ministro da
Fazenda, e mandando destruir tudo que lembrasse a escravidão (ainda bem
que não conseguiu, né?). Ou talvez para os militares, de 64 a 86; ou
para Prestes, com aquela linda e ineficiente Marcha, da qual meu pai
participou. Nossa história é uma seqüência de fracassos, mas deve ter
sido também de sucessos: Pedro II era um tolo, fascinado pela
tecnologia, mas quem não era, naquele momento?
E que tal repassar a história da Itália, da qual meu avô veio, com seus
pais e irmãos, para não morrerem de fome por lá? Ou do Japão, da
Espanha, da Inglaterra, cujos peregrinos inventaram os EUA? Ou da
Rússia, que, coitada, continua tentando?
Gosto daqui, com os erros que vejo. Tento entender monarquistas,
civilistas, militares, republicanos, parlamentaristas, presidencialistas
e assemelhados, porque quero continuar acreditando que nada sei para
continuar aprendendo.
Abraços, Aristoteles


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